{"id":77,"date":"2021-11-02T10:33:00","date_gmt":"2021-11-02T10:33:00","guid":{"rendered":"https:\/\/circulareconomy.pt\/blog-post-title-8\/"},"modified":"2023-06-30T12:27:31","modified_gmt":"2023-06-30T12:27:31","slug":"o-guarda-roupa-e-o-caixote-do-lixo-inquerito-sobre-a-responsabilidade-alargada-do-produtor-no-setor-textil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/circulareconomy.pt\/en\/o-guarda-roupa-e-o-caixote-do-lixo-inquerito-sobre-a-responsabilidade-alargada-do-produtor-no-setor-textil\/","title":{"rendered":"O guarda-roupa e o caixote do lixo: inqu\u00e9rito sobre a Responsabilidade Alargada do Produtor no setor t\u00eaxtil"},"content":{"rendered":"<p><strong>Os contornos legais do sistema ainda est\u00e3o por desenhar, mas a CEP reuniu algumas pistas.<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o creio ser uma consumidora desenfreada de roupa, mas ainda assim tenho roupa para dar e vender. O meu filho cresce e a roupa deixa de lhe servir; h\u00e1 camisolas minhas que v\u00e3o murchando com o uso e que permanecem dobradinhas na gaveta&#8230; De vez em quando fa\u00e7o uma sele\u00e7\u00e3o. Vendo o que est\u00e1 em melhores condi\u00e7\u00f5es (sou f\u00e3 da <em>Kid to Kid<\/em>) e deposito o restante num contentor da C\u00e1ritas. Sei (at\u00e9 certo ponto) o que acontece a estes artigos \u2013 visitei em Rio de Mouro o armaz\u00e9m da Cooperativa Esperan\u00e7a, a estrutura que processa os materiais recolhidos nestes contentores. Alguma roupa \u00e9 usada pela C\u00e1ritas nas suas atividades de a\u00e7\u00e3o social, mas a grande maioria do t\u00eaxtil \u00e9 exportado, sobretudo para o M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n<p>Contentores como os da C\u00e1ritas (que podem pertencer a organiza\u00e7\u00f5es da economia social ou a empresas comerciais) existem um pouco por todo o pa\u00eds, ainda que com maior densidade nos grandes centros urbanos. Apesar disso, muita roupa acaba no lixo indiferenciado. Foram 171 mil toneladas em 2019, representando 4,27% da totalidade dos res\u00edduos n\u00e3o recolhidos seletivamente em Portugal Continental (c\u00e1lculo efetuado a partir de dados da Ag\u00eancia Portuguesa do Ambiente).<\/p>\n<p>\u00c9 para dar a volta a esta situa\u00e7\u00e3o que a lei n.\u00ba 52\/2021 prev\u00ea que os t\u00eaxteis sejam englobados num sistema de responsabilidade alargada do produtor (RAP) \u2013 semelhante ao j\u00e1 existente para fluxos como o das embalagens ou o dos equipamentos el\u00e9tricos e eletr\u00f3nicos.<\/p>\n<p style=\"font-size: 18px;\"><strong>Os fabricantes de roupa passam a ser respons\u00e1veis pelos res\u00edduos? Como assim?<\/strong><\/p>\n<p>Os contornos do futuro sistema ainda est\u00e3o por definir. No caso das embalagens, existem diferentes entidades gestoras que cobram aos produtores e distribuidores uma taxa (\u201cecovalor\u201d), financiando assim as atividades de recolha seletiva e triagem que potenciam a reciclagem dos materiais. Equaciona-se agora a modula\u00e7\u00e3o desse ecovalor, no sentido de premiar as embalagens \u201cboas\u201d (com certo teor de material reciclado, por exemplo) e penalizar as \u201cm\u00e1s\u201d.<\/p>\n<p>Para o t\u00eaxtil, poder\u00e1 vir a haver exonera\u00e7\u00e3o do ecovalor caso o vestu\u00e1rio respeite certos crit\u00e9rios ambientais. Segundo a APA, o Governo tem at\u00e9 final de 2022 para estudar \u201ca introdu\u00e7\u00e3o de um sistema de verifica\u00e7\u00e3o e autentifica\u00e7\u00e3o da durabilidade dos bens t\u00eaxteis\u201d, podendo eventualmente, \u201cno caso de esta se verificar, exclu\u00ed-los das obriga\u00e7\u00f5es [decorrentes da integra\u00e7\u00e3o do t\u00eaxtil num sistema de RAP]\u201d. Ou seja, a <em>fast-fashion<\/em> pagaria a integralidade do ecovalor, ao passo que um artigo comprovadamente dur\u00e1vel poderia ser exonerado. Em Fran\u00e7a \u00e9 isso que acontece. Os t\u00eaxteis (e cal\u00e7ado) que obedecem a crit\u00e9rios de durabilidade beneficiam de abatimentos, sendo que a integra\u00e7\u00e3o de pelo menos 15% de mat\u00e9ria-prima reciclada d\u00e1 direito a 50% de redu\u00e7\u00e3o no ecovalor.<\/p>\n<p>A entrada em vigor do esquema RAP em Fran\u00e7a, em 2009, permitiu aumentar consideravelmente a recolha seletiva. Antes da RAP, estimava-se que a quantidade de roupa e cal\u00e7ado recolhidos seletivamente (por organiza\u00e7\u00f5es privadas) correspondia a 20% da totalidade de material t\u00eaxtil colocada anualmente no mercado. Em 2019, essa percentagem ter\u00e1 chegado aos 41%. (1)<\/p>\n<p>Falta precisar que, depois do estudo (final de 2022) e da formula\u00e7\u00e3o da lei (final de 2024), \u00e9 preciso contar mais dois anos (final de 2026) at\u00e9 \u00e0 entrada em vigor da RAP para o t\u00eaxtil em Portugal.<\/p>\n<p style=\"font-size: 18px;\"><strong>Muito t\u00eaxtil e pouco mercado<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto o esquema aguarda formula\u00e7\u00e3o legal, os SGRUs (Sistemas de Gest\u00e3o de Res\u00edduos Urbanos) j\u00e1 come\u00e7aram a estudar a mat\u00e9ria. Se o atual funcionamento do fluxo de embalagens pode servir de modelo ao futuro esquema do t\u00eaxtil, caber\u00e1 aos SGRUs a recolha seletiva e a triagem do novo fluxo, mediante transfer\u00eancias financeiras pagas pela futura entidade gestora (ou entidades gestoras). A Res\u00edduos do Nordeste, empresa intermunicipal que serve 13 munic\u00edpios em Tr\u00e1s-os-Montes, regista elevado teor de res\u00edduos t\u00eaxteis nos res\u00edduos indiferenciados que recolhe: 9%, o dobro da m\u00e9dia nacional. Nesta regi\u00e3o de baixa densidade populacional n\u00e3o abundam os contentores para doa\u00e7\u00e3o de roupa. E muitos dos materiais identificados (tapetes, alcatifas, estofos de sof\u00e1) n\u00e3o poderiam, note-se, ser valorizados por essa via.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o preocupa B\u00e1rbara Rodrigues, respons\u00e1vel pelo Departamento de Qualidade, Ambiente e Seguran\u00e7a da Res\u00edduos do Nordeste, sobretudo porque nas atuais condi\u00e7\u00f5es de mercado estes t\u00eaxteis n\u00e3o t\u00eam valoriza\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. A respons\u00e1vel relata que a empresa tentou, em 2019, montar um projeto de valoriza\u00e7\u00e3o do fluxo t\u00eaxtil. No entanto, n\u00e3o foi poss\u00edvel identificar empresas interessadas em absorver os t\u00eaxteis p\u00f3s-consumo que viriam a ser recolhidos seletivamente. Potenciais problemas de contamina\u00e7\u00e3o e a m\u00e1 qualidade das fibras foram as raz\u00f5es apontadas pela ind\u00fastria de componentes para os interiores de autom\u00f3veis, importante consumidora de desperd\u00edcios t\u00eaxteis mas que prefere ir busc\u00e1-los a montante, \u00e0s f\u00e1bricas, ainda limpos.<\/p>\n<p><\/p>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\"><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\"><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<p><\/p>\n<p>Esta experi\u00eancia levanta uma quest\u00e3o fundamental: o que vai acontecer aos t\u00eaxteis que vierem a ser recolhidos seletivamente? Se a Res\u00edduos do Nordeste n\u00e3o conseguiu fechar o ciclo dos t\u00eaxteis, quais ser\u00e3o as op\u00e7\u00f5es da futura entidade gestora deste fluxo espec\u00edfico?<\/p>\n<style>\/*! elementor - v3.5.6 - 28-02-2022 *\/<br \/>\n.elementor-widget-image{text-align:center}.elementor-widget-image a{display:inline-block}.elementor-widget-image a img[src$=\".svg\"]{width:48px}.elementor-widget-image img{vertical-align:middle;display:inline-block}<\/style>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"422\" src=\"https:\/\/circulareconomy.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Caritas_coop-_Triagem-com-credito-1024x422-1.png\" alt=\"\" loading=\"lazy\" srcset=\"https:\/\/circulareconomy.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Caritas_coop-_Triagem-com-credito-1024x422-1.png 1024w, https:\/\/circulareconomy.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Caritas_coop-_Triagem-com-credito-1024x422-1-300x124.png 300w, https:\/\/circulareconomy.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Caritas_coop-_Triagem-com-credito-1024x422-1-768x317.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\">\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/p>\n<p style=\"font-size:18px\"><strong>Exporta\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel, reciclagem invi\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o em vigor n\u00e3o permite aos SGRUs vender res\u00edduos para fora do pa\u00eds. Por isso a Res\u00edduos do Nordeste n\u00e3o p\u00f4de considerar esta op\u00e7\u00e3o. No entanto, \u00e9 na exporta\u00e7\u00e3o que repousa o modelo de neg\u00f3cio das organiza\u00e7\u00f5es privadas que recolhem t\u00eaxtil usado. A Cooperativa Esperan\u00e7a (C\u00e1ritas) exporta 90% do que recolhe. Na Humana Portugal, a percentagem anda pelos 75% &#8211; a rede de 13 lojas gerida pela organiza\u00e7\u00e3o permite revender parte das doa\u00e7\u00f5es. (2)<\/p>\n<p>Mas mesmo que uma futura entidade gestora tenha licen\u00e7a para escoar t\u00eaxtil para o mercado internacional, essa op\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 desej\u00e1vel. Os artigos acabam muitas vezes por ser revendidos a pre\u00e7os baixos em pa\u00edses em desenvolvimento; a asfixia da produ\u00e7\u00e3o local \u00e9 um dano colateral da abund\u00e2ncia de refugo t\u00eaxtil proveniente do Norte. Por outro lado, Portugal n\u00e3o estar\u00e1 sozinho na procura de destino para os seus t\u00eaxteis usados a partir de 2025; outros pa\u00edses europeus v\u00e3o come\u00e7ar a aplicar a diretiva de recolha seletiva da UE e o mercado da roupa em segunda-m\u00e3o corre riscos de ficar saturado.<\/p>\n<p>Poder\u00e1 a reciclagem absorver o que se prev\u00ea ser um forte aumento da disponibilidade de t\u00eaxteis usados? Uma coisa \u00e9 certa: atualmente, pouco ou nada daquilo que colocamos nos contentores de roupa usada tem como destino a reciclagem em territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>Existem em Portugal tr\u00eas empresas de reciclagem t\u00eaxtil: a Sasia e a Recutex em Famalic\u00e3o, e a Jomafil na Covilh\u00e3. S\u00e3o todas veteranas, com mais de 50 anos de exist\u00eancia. A Jomafil fabrica feltros, tendo como principal cliente a ind\u00fastria autom\u00f3vel, que os utiliza, entre outras coisas, para insonorizar os habit\u00e1culos. O diretor da empresa, Nuno Madeira, surpreende-se quando o confrontamos com a ideia de que em Portugal n\u00e3o existe capacidade para reciclar t\u00eaxtil. A Jomafil s\u00f3 trabalha com desperd\u00edcio e at\u00e9 precisa de importar 40% da mat\u00e9ria-prima para garantir as suas 600 toneladas mensais de produto, garante. A empresa desenvolveu at\u00e9 um equipamento para retirar fechos e bot\u00f5es \u00e0s pe\u00e7as. Mas esta m\u00e1quina est\u00e1 quase sempre parada. Capacidade existe; n\u00e3o existe \u00e9 viabilidade econ\u00f3mica.<\/p>\n<p>Triar roupa usada por cor e fibra, retirar acess\u00f3rios \u2013 o trabalho \u00e9 moroso e, desta feita, caro, encarecendo tamb\u00e9m o produto final. No passado, a Jomafil fez feltros com fardas do ex\u00e9rcito, e mais recentemente aplicou o processo \u00e0s fardas descontinuadas de uma grande superf\u00edcie. \u201cN\u00f3s reciclamos tudo, desde que nos paguem\u201d, resume Nuno Madeira.<\/p>\n<p>A futura taxa a ser paga pelos fabricantes e distribuidores poder\u00e1 ajudar a equilibrar a equa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, para al\u00e9m da viabilidade econ\u00f3mica, a reciclagem t\u00eaxtil enfrenta tamb\u00e9m desafios t\u00e9cnicos. Muita da roupa que usamos \u00e9 composta por uma mistura de fibras, e com estes inputs os processos de reciclagem mec\u00e2nica n\u00e3o conseguem produzir fio com qualidade suficiente para fabricar novo tecido. S\u00e3o a ind\u00fastria autom\u00f3vel e a da constru\u00e7\u00e3o os grandes clientes da reciclagem t\u00eaxtil, n\u00e3o a pr\u00f3pria ind\u00fastria da moda.<\/p>\n<p style=\"font-size:18px\"><strong>Reciclagem qu\u00edmica, santo graal ou miragem?<\/strong><\/p>\n<p>Estaremos num beco sem sa\u00edda, condenados \u00e0 linearidade neste setor? \u00c9 aqui que entra em cena a reciclagem qu\u00edmica. Esta tecnologia, sobre a qual recaem muitas esperan\u00e7as, est\u00e1 ainda na inf\u00e2ncia. A a\u00e7\u00e3o de solventes qu\u00edmicos no vestu\u00e1rio permitiria recuperar, com a qualidade original, pelo menos uma das fibras componentes \u2013 e assim, finalmente, tecer roupa nova a partir da velha. Multiplicam-se os projetos de investiga\u00e7\u00e3o e as infraestruturas piloto neste campo. O CITEVE (Centro Tecnol\u00f3gico das Ind\u00fastrias T\u00eaxtil e do Vestu\u00e1rio de Portugal) espera poder beneficiar de verbas do PRR (Plano de Recupera\u00e7\u00e3o e Resili\u00eancia) para levar a cabo uma dessas experi\u00eancias. Conta-nos Ana Tavares, coordenadora da Agenda Estrat\u00e9gica para a Sustentabilidade e Economia Circular no CITEVE, que o projeto se foca na reciclagem qu\u00edmica de fibras derivadas da celulose vegetal (algod\u00e3o, liocel, modal, viscose), pretendendo instalar pilotos deste tipo de processo, algo nunca tentado no nosso pa\u00eds. Perante uma tecnologia que repousa inteiramente sobre processos e produtos qu\u00edmicos, resta saber at\u00e9 que ponto ser\u00e1 poss\u00edvel proceder \u00e0 dita reciclagem sem gerar, paradoxalmente, novos res\u00edduos e nova polui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-size:18px\"><strong>Todos os caminhos v\u00e3o dar \u00e0 preven\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Vistas as quantidades de desperd\u00edcio e os obst\u00e1culos t\u00e9cnicos, econ\u00f3micos e sociais \u00e0 sua valoriza\u00e7\u00e3o, os caminhos que se apresentam ao setor t\u00eaxtil para lidar com o fim de vida dos seus produtos n\u00e3o s\u00e3o de todo animadores. Assim, \u00e9 preciso levantar o olhar para montante.<\/p>\n<p>O consumo de roupa em segunda-m\u00e3o tem margem para crescer em Portugal. Segundo um <a href=\"https:\/\/secondhandcounts.wordpress.com\/\">estudo<\/a> internacional realizado entre 2018 e 2021 pela alem\u00e3 Humana Kleidersammlung GmbH, os portugueses compram anualmente mais roupa nova por pessoa (20,8 kg) do que a m\u00e9dia europeia (17,1 kg), e apenas 6% dos inquiridos reportaram ter comprado artigos em segunda-m\u00e3o nos \u00faltimos 6 meses (a m\u00e9dia europeia \u00e9 de 21%) (3). A cultura da reutiliza\u00e7\u00e3o em Portugal \u00e9 incipiente.<\/p>\n<p>Reutilizar \u00e9 uma forma de evitar novos consumos (e futuros novos res\u00edduos), mas a l\u00f3gica da preven\u00e7\u00e3o vai muito para al\u00e9m de substituir o novo pelo usado. Trata-se, muito simplesmente, de consumir menos. No que ao vestu\u00e1rio diz respeito, h\u00e1 margem para decrescer. E esta mensagem n\u00e3o se dirige apenas, nem principalmente, ao consumidor. O European Environmental Bureau (EEB) lan\u00e7ou recentemente um apelo a propostas de investiga\u00e7\u00e3o intitulado <a href=\"https:\/\/eeb.org\/call-for-tender-the-wellbeing-wardrobe\/\"><em>\u201cThe Wellbeing Wardrobe\u201d<\/em><\/a> (O Guarda-Roupa do Bem-Estar), com o objetivo de perceber como pode a abordagem do decrescimento e do bem-estar aplicar-se, na pr\u00e1tica, ao setor t\u00eaxtil. Tal implica explorar modelos de neg\u00f3cio alternativos, mas tamb\u00e9m modelos de governan\u00e7a e pol\u00edticas p\u00fablicas que possam \u201cpromover uma transi\u00e7\u00e3o justa e planeada no sentido da contra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o t\u00eaxtil, para al\u00e9m de quest\u00f5es de efici\u00eancia material.\u201d (4)<\/p>\n<p><\/p>\n\n\n<p style=\"font-size:18px\"><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\"><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:18px\"><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<p><\/p>\n<p>Em Portugal, a aplica\u00e7\u00e3o princ\u00edpio da responsabilidade alargada do produtor (RAP) aos produtos t\u00eaxteis permitir\u00e1 desviar muito material da incinera\u00e7\u00e3o e do aterro. No entanto, para abordar com seriedade o problema da sustentabilidade do setor, \u00e9 necess\u00e1rio alargar o campo de aplica\u00e7\u00e3o desse mesmo princ\u00edpio. Em linha com o que Lindhqvist, o pai da RAP na Europa, tinha originalmente em mente, a responsabilidade dos produtores deve abranger todo o ciclo de vida dos produtos, n\u00e3o apenas o seu fim de vida. (5)<\/p>\n<style>\/*! elementor - v3.5.6 - 28-02-2022 *\/<br \/>\n.elementor-widget-divider{--divider-border-style:none;--divider-border-width:1px;--divider-color:#2c2c2c;--divider-icon-size:20px;--divider-element-spacing:10px;--divider-pattern-height:24px;--divider-pattern-size:20px;--divider-pattern-url:none;--divider-pattern-repeat:repeat-x}.elementor-widget-divider .elementor-divider{display:-webkit-box;display:-ms-flexbox;display:flex}.elementor-widget-divider .elementor-divider__text{font-size:15px;line-height:1;max-width:95%}.elementor-widget-divider .elementor-divider__element{margin:0 var(--divider-element-spacing);-ms-flex-negative:0;flex-shrink:0}.elementor-widget-divider .elementor-icon{font-size:var(--divider-icon-size)}.elementor-widget-divider .elementor-divider-separator{display:-webkit-box;display:-ms-flexbox;display:flex;margin:0;direction:ltr}.elementor-widget-divider--view-line_icon .elementor-divider-separator,.elementor-widget-divider--view-line_text .elementor-divider-separator{-webkit-box-align:center;-ms-flex-align:center;align-items:center}.elementor-widget-divider--view-line_icon .elementor-divider-separator:after,.elementor-widget-divider--view-line_icon .elementor-divider-separator:before,.elementor-widget-divider--view-line_text .elementor-divider-separator:after,.elementor-widget-divider--view-line_text .elementor-divider-separator:before{display:block;content:\"\";border-bottom:0;-webkit-box-flex:1;-ms-flex-positive:1;flex-grow:1;border-top:var(--divider-border-width) var(--divider-border-style) var(--divider-color)}.elementor-widget-divider--element-align-left .elementor-divider .elementor-divider-separator>.elementor-divider__svg:first-of-type{-webkit-box-flex:0;-ms-flex-positive:0;flex-grow:0;-ms-flex-negative:100;flex-shrink:100}.elementor-widget-divider--element-align-left .elementor-divider-separator:before{content:none}.elementor-widget-divider--element-align-left .elementor-divider__element{margin-left:0}.elementor-widget-divider--element-align-right .elementor-divider .elementor-divider-separator>.elementor-divider__svg:last-of-type{-webkit-box-flex:0;-ms-flex-positive:0;flex-grow:0;-ms-flex-negative:100;flex-shrink:100}.elementor-widget-divider--element-align-right .elementor-divider-separator:after{content:none}.elementor-widget-divider--element-align-right .elementor-divider__element{margin-right:0}.elementor-widget-divider:not(.elementor-widget-divider--view-line_text):not(.elementor-widget-divider--view-line_icon) .elementor-divider-separator{border-top:var(--divider-border-width) var(--divider-border-style) var(--divider-color)}.elementor-widget-divider--separator-type-pattern{--divider-border-style:none}.elementor-widget-divider--separator-type-pattern.elementor-widget-divider--view-line .elementor-divider-separator,.elementor-widget-divider--separator-type-pattern:not(.elementor-widget-divider--view-line) .elementor-divider-separator:after,.elementor-widget-divider--separator-type-pattern:not(.elementor-widget-divider--view-line) .elementor-divider-separator:before,.elementor-widget-divider--separator-type-pattern:not([class*=elementor-widget-divider--view]) .elementor-divider-separator{width:100%;min-height:var(--divider-pattern-height);-webkit-mask-size:var(--divider-pattern-size) 100%;mask-size:var(--divider-pattern-size) 100%;-webkit-mask-repeat:var(--divider-pattern-repeat);mask-repeat:var(--divider-pattern-repeat);background-color:var(--divider-color);-webkit-mask-image:var(--divider-pattern-url);mask-image:var(--divider-pattern-url)}.elementor-widget-divider--no-spacing{--divider-pattern-size:auto}.elementor-widget-divider--bg-round{--divider-pattern-repeat:round}.rtl .elementor-widget-divider .elementor-divider__text{direction:rtl}<\/style>\n<p>(1) <a href=\"https:\/\/www.ademe.fr\/sites\/default\/files\/assets\/documents\/dechets_chiffres_cles_edition_2020_010692.pdf\">ADEME D\u00e9chets Chiffres cl\u00e9s 2020<\/a><\/p>\n<p>(2) <a href=\"http:\/\/reutilizacaosolidaria.info\">http:\/\/reutilizacaosolidaria.info<\/a><\/p>\n<p>(3) <a href=\"https:\/\/secondhandcounts.wordpress.com\/\">https:\/\/secondhandcounts.wordpress.com\/<\/a><\/p>\n<p>(4) <a href=\"https:\/\/eeb.org\/call-for-tender-the-wellbeing-wardrobe\/\">https:\/\/eeb.org\/call-for-tender-the-wellbeing-wardrobe\/<\/a><\/p>\n<p><\/p>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<p><\/p>\n<p>(5) Maitre-Ekern, El\u00e9onore. 2020. \u201cRe-Thinking Producer Responsibility for a Sustainable Circular Economy. From extended producer responsibility to pre-market producer responsibility\u201d, <em>Journal of Cleaner Production<\/em>. https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.jclepro.2020.125454.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A lei portuguesa prev\u00ea a instaura\u00e7\u00e3o, at\u00e9 final de 2024, de um sistema de responsabilidade alargada do produtor para o t\u00eaxtil. O objetivo \u00e9 evitar os milhares de toneladas de roupa usada que anualmente acabam no lixo indiferenciado. Caber\u00e1 aos fabricantes a responsabilidade pelos impactos dos t\u00eaxteis uma vez atingido o seu \u201cfinal de vida\u201d. 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